06/03 – sábado –II semana da quaresma
Reflexão Pessoal – Miquéias 7, 14-15.18-20 – “Deus não guarda rancor para sempre”
O profeta Miquéias canta para o povo que volta do exílio a compaixão de Deus e revela também a nós os propósitos do Seu coração que não guarda rancor para sempre e ama a misericórdia. Por isso, nós podemos ter esperança de que o Senhor nos fará ver novos prodígios, isto é, vislumbrar uma vida nova coerente com os Seus planos. A autoridade de Deus se apóia no cajado da Sua misericórdia. Que nós possamos nos submeter ao cajado da Sua autoridade, pois somos rebanho da sua propriedade e necessitamos da Sua condução. Mesmo que não tenhamos muitos frutos para apresentar ao Senhor, Ele nos dá sempre uma nova chance lançando ao fundo do mar todos os nossos pecados. Nós também vivemos no exílio do pecado, e caminhamos neste mundo em busca da pátria definitiva. A certeza de que somos também resto de sua propriedade e que Deus apaga a iniqüidade e esquece o nosso pecado dá-nos novo ânimo e segurança para que retornemos à nossa terra, isto é, ao lugar que o Senhor já nos designou. Portanto, neste tempo de Quaresma nós precisamos perseguir a conversão tomando consciência de que é um tempo propício para que nós façamos a nossa prece ao Senhor e que Ele se compadeça de nós e nos dê uma vida nova. Deus é fiel e justo, portanto cumpre com todas as promessas que fez a nossos pais desde tempos remotos. Somos Sua propriedade e Ele quer para nós o que há de melhor e duradouro. Apossemo-nos da nova vida que Ele já colocou à nossa disposição e não percamos tempo. Conversão, hoje! - Você se considera propriedade de Deus? Você sente a Sua misericórdia e a Sua compaixão? – Você tem percebido a Sua presença na sua vida? – Como está o seu coração? – Você sente a paz que é fruto da justiça do Senhor? – Você é uma ovelha fugida querendo voltar? – Então se apóie no cajado do Senhor e deixe que a Sua misericórdia visite a sua miséria.
Salmo 102 – “O Senhor é indulgente e favorável!”
Às vezes não acreditamos na misericórdia do Senhor porque duvidamos também de que ele possa esquecer por completo as nossas más ações do passado. Não entendemos que o amor de Deus é muito maior do que a nossa miséria. Precisamos sempre conscientizar a nossa alma dos favores do Senhor para que assim ela possa bendizê-Lo com convicção. Assim sendo, será mais fácil acolhermos a Sua indulgência.
Evangelho – Lucas 15,1-3.11-32 – “A festa do reencontro”
Jesus nos acena com o perdão e a reconciliação e nos aponta o caminho de volta para a Casa do Pai, o arrependimento sincero. O processo da volta começa com a nossa contrição e o nosso propósito de não mais nos afastar de Deus. No entanto, hoje, ao invés de nos fazer refletir acerca do nosso arrependimento aqui na terra, Ele nos dá uma visão do que poderá acontecer com cada um de nós quando chegar o momento da nossa viagem para o infinito. É muito salutar que nós tenhamos em vista também o dia da nossa morte, pois podemos ser pegos de “surpresa” a qualquer momento. Por isso, reflitamos com a Palavra: ”Da terra Deus criou o ser humano e o formou à sua imagem. E à terra o faz voltar novamente … Concedeu-lhe dias contados e tempo determinado, dando-lhe autoridade sobre tudo o que há sobre a terra. Concedeu aos humanos discernimento, língua, olhos, ouvidos e um coração para pensar;… Deu-lhes ainda a ciência do espírito, encheu o seu coração de bom senso } e mostrou-lhes o bem e o mal. Firmou com eles uma aliança eterna e mostrou-lhes sua justiça e seus julgamentos. Ele lhes disse: “Guardai-vos de tudo o que é injusto!” E a cada um deu mandamentos em relação a seu próximo.” (Eclo. Cap. 17 vs. 1ss.) Como vimos aqui, todos nós também recebemos a parte da nossa herança para bem vivermos aqui na terra. Gastar a herança aqui é direito que nós temos, no entanto, o modo como nós consumimos o nosso legado é o que faz toda a diferença para nós. Quando nos afastamos de Deus e queremos ser donos da nossa vida, ter “liberdade”, viver sem restrições e fazer o que nos dá na telha, nós desperdiçamos o que recebemos de Deus e sofremos as conseqüências, por isso, nos sentimos perdidos, afundados na lama, famintos e humilhados. Esta é a chance que temos ainda durante a nossa vida terrena de nos reabilitar e reconquistar a nossa cidadania desde já. Jesus já nos libertou! O Pai nos espera! Podemos voltar! No entanto, às vezes nem assim nós nos rendemos e continuamos envolvidos nas artimanhas que nós mesmos tramamos contra nós. Chega então, para nós, o dia do retorno, pois o tempo passou e o juiz dá o apito final. E agora? O Pai nos espera? Jesus está a postos? Podemos voltar? Se tivermos esperança tão somente para esta vida, com certeza, estaremos sendo injustos com Aquele que tem como essência o Amor e não sabe fazer outra coisa senão, amar. O Pai nos espera Jesus está a postos para nos justificar, podemos voltar! Porém, o nosso arrependimento sincero e o nosso reconhecer Jesus que nos levará ao Pai será a chave que nós podemos usar para que a porta do céu se abra. Assim, podemos pensar que nós mesmos temos nas mãos a chave que abrirá a porta do céu para nós. O Pai
espera ansioso a nossa volta, e o nosso arrependimento será a única oferta que nós podemos apresentar quando também corrermos para Ele: “Pai, pequei contra Ti. Já não mereço ser chamado teu filho”. Esta é a chave! O Pai também mandará preparar a festa, mandará trazer a melhor túnica para nos vestir, nos colocará um anel no dedo e calçará os nossos pés com sandálias. Tudo isto é uma visão espiritual para nos mostrar que nunca seremos rejeitados por Deus, mesmo que sejamos os maiores pecadores e isso depende de nós. O “bom ladrão” reconheceu Jesus no último momento e a ele foi concedido entrar no Paraíso, naquele mesmo dia. Mesmo que todos os outros que se consideram “justos” como o filho mais velho não compreendam nós precisamos ter a certeza de que Jesus é quem vai nos apresentar ao Pai e será Ele quem nos justificará mediante a nossa Fé e o nosso arrependimento sincero. Quem não se arrepende não precisa ser perdoado, porém quem reconhecer o seu pecado receberá o perdão do Pai. - Você já experimentou voltar para Deus arrependido e humilhado? Como você se sentiu? – Quando você erra volta-se pra Deus com o coração de filho (a) ou de empregado (a)? - E quando você não se arrepende, embora saiba que não fez certo, como você se sente? – Você acha que será bem recebido (a) nos tabernáculos eternos? – Qual é a idéia que você tem em relação a outra vida? – Você já está com a chave nas mãos?
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